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quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Advogado de Dirceu espera sessão do STF para definir como seu cliente se apresentará
Advogado do ex-ministro José Dirceu, José Luis de Oliveira Lima afirmou que só definirá a forma de apresentação de seu cliente à Polícia Federal após o fim da sessão desta quinta-feira (14) no Supremo Tribunal Federal (STF).
"Estou esperando a decisão do Supremo e então darei uma coletiva no meu escritório [em São Paulo] para esclarecer como será a apresentação [de Dirceu]", disse o advogado à Folha.
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O ex-ministro, que estava descansando com a família na Bahia, chegou a São Paulo na madrugada desta quinta, após a Corte definir a prisão imediata dos condenados no mensalão, mesmo no caso daqueles que ainda têm recurso pendente.
Dirceu pousou com um jatinho em Jundiaí (SP) e seguiu para sua casa em Vinhedo (SP), onde passou a noite. A previsão é a de que ele siga para a capital paulista após o almoço.
No apartamento em que mora seu irmão, no bairro da Vila Mariana, zona sul de São Paulo, Dirceu deve fazer uma reunião com seus advogados e assessores nesta tarde para definir se irá se pronunciar ou não sobre a decisão do STF. As possibilidades são uma declaração pública ou uma coletiva de imprensa.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
'Quem deve precisa começar a pagar', diz ministro do STF sobre réus do mensalão
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello disse nesta quarta-feira (13) esperar que o julgamento dos recursos do mensalão seja rápido. Segundo ele, "quem deve precisa começar a pagar" e, se dependesse de sua vontade, hoje mesmo o caso seria encerrado.
Para o ministro, nesta etapa do julgamento, o Supremo deveria determinar o início do cumprimento das penas para 23 dos 25 réus, tese que defende desde setembro, quando a corte concluiu a análise do primeiro lote de recursos. Em sua visão, isso seria até mesmo benéfico para os condenados, já que alguns deles, como o ex-ministro José Dirceu, ficariam num regime mais flexível de prisão.
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A diferenciação se dá porque Dirceu e outros 22 dos 25 réus, foram condenados por mais de um crime e, somente num deles, existe a possibilidade de apresentação de um recurso conhecido como embargos infringentes, que só será julgado no ano que vem e pode reverter a condenação.
Por isso, Dirceu, condenado por corrupção a 7 anos e 11 meses e por formação de quadrilha a 2 anos e 11 meses, cumpriria somente apena de corrupção, uma vez que para quadrilha ele tem direito aos infringentes. Como a pena é inferior a 8 anos, ela é cumprida no regime semiaberto, quando a Justiça pode autorizar saídas durante o dia para trabalho externo.
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Ministro: governo aceita ajustes no Marco Civil, mas manterá neutralidade
Na tentativa de resolver impasse com a base aliada na Câmara e conseguir votar o Marco Civil da Internet, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta terça-feira (12) que o governo aceitará fazer modificações na redação do projeto de lei, sem que isso prejudique questões caras ao Planalto, como a neutralidade.
A declaração foi dada após reunião na Câmara dos Deputados com líderes da base aliada e a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais).
Segundo Cardozo, as mudanças envolvem apenas "questões técnicas". "A questão da neutralidade tem tido uma grande discussão com alguns segmentos da base. O governo defende a neutralidade, mantém a sua posição, mas acredito que é possível superar alguns entraves com alguma questão redacional, sem que abramos mão de alguns princípios que são próprios para garantia da isonomia."
Após a reunião, o líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), disse que discute apenas "fatos" e não "tese", referindo-se à promessa de o governo ajustar o texto. "Eu discuto fato. Fato é o que vier me propor por escrito. Se o que estiver escrito refletir aquilo que a minha bancada se posicionou, terá o nosso apoio. Senão, não."
Ele voltou a bater na tecla que o texto atual do Marco Civil encarecerá o serviço para o usuário. "Com relação ao que o relator [deputado Alessandro Molon (PT-RJ)] propôs, ele está interferindo na atividade econômica, está interferindo com os usuários, fazendo com que os usuários, ao fim, paguem mais caro na utilização da internet. O PMDB é contrário a isso."
Cardozo afirmou estar "animado" com a perspectiva de acordo. "Eu saio animado com a possibilidade de chegarmos a um bom resultado em que a neutralidade, evidentemente, ficará assegurada, mas atendendo a situações estritamente técnicas que possam dar maior clareza ao texto."
Considerado uma espécie de "Constituição" da internet, o projeto de lei estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da rede no Brasil. Já a neutralidade defende tratamento igualitário de todo o tráfego de internet por parte das operadoras de internet fixa e móvel. Na prática, ela impediria que essas empresas vendessem pacotes limitados (como acesso restrito a redes sociais).
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Tradição familiar da política brasileira, que remonta à colonização, deve manter-se na eleição de 2014
Em todos os Estados brasileiros, os partidos se preparam para as eleições de 2014. Nesse processo, nomes surgem como possíveis candidatos na disputa para cargos no Executivo e Legislativo, nacional e estadual. Eles possuem sobrenomes já conhecidos pela população brasileira, como é o caso dos prováveis candidatos à Presidência da República, Aécio Neves e Eduardo Campos, netos de figuras emblemáticas na recente história política brasileira.
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Sarney, Magalhães, Calheiros, Alves, Maia, Bornhausen, Richa e Barbalho. Os filhos dessa famílias tradicionais da política brasileira nasceram e cresceram em um ambiente cercado por tios, primos, avós que "fizeram carreira" como políticos.
Porém, o que pode ser entendido como um caminho natural é, segundo especialistas, a expressão dos traços oligárquicos que sempre estiveram presentes na política brasileira.
Segundo o cientista político e professor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), Michel Zaidan, essa família política, na verdade, tem origem na família patriarcal colonial, matriz da formação do Estado brasileiro. "É como Gilberto Freyre aborda em sua obra: a família patriarcal é a dominação primeira do Brasil e se pode perceber a sobrevivência desse grande patrimonialismo até hoje na política brasileira", diz.
Em seu livro "Teias do Nepotismo", o cientista político, sociólogo e professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Ricardo Costa de Oliveira, investiga, entre outras questões, as relações de parentesco entre os membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Segundo ele, dois terços dos senadores são membros de famílias políticas e metade dos deputados federais pertence a clãs influentes politicamente.
"Quando nós analisamos os jovens deputados federais, aqueles com menos de 35 anos, quase todos também pertencem a famílias políticas, e os nossos dados de pesquisa mostram que esse é um fenômeno em crescimento no Brasil".
Ainda de acordo com Oliveira, grande parte dessas famílias têm raízes no período colonial. "É o caso da família Andrada em Minas Gerais, que está há cinco gerações no parlamento. Em cada estado da federação, nós ainda encontramos muitas famílias que tiveram origem no latifúndio. Quanto mais local, mais esse fenômeno se acentua", diz.
Ricardo Costa de Oliveira afirma ainda que há processos de renovação, como o ocorrido no início dos anos 1980, com a redemocratização, quando novas figuras ganharam espaço na política brasileira. "Mas, quem entra no poder acaba se fechando. Pode notar que boa parte da política brasileira ainda é comandada por quem já comandava no início da redemocratização."
domingo, 10 de novembro de 2013
Situação era de degradação, diz Haddad sobre máfia do ISS em São Paulo
Quase sempre avarento e professoral nos adjetivos de acusação, o prefeito Fernando Haddad (PT) subiu o tom contra a gestão de Gilberto Kassab (PSD) -mesmo sem nunca citar o seu nome.
Em entrevista à Folha, ele classificou a situação que encontrou na Prefeitura de São Paulo de "descalabro": "Havia uma degradação. Nichos instalados e empoderados".
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Por outro lado, não poupou elogios à Controladoria-Geral do Município, criada por ele a partir da experiência da Controladoria-Geral da União (CGU), que revelou a máfia do ISS (Imposto sobre Serviços): fiscais que cobravam propina para reduzir o valor do tributo pago para imóveis novos num esquema que fraudou a prefeitura em cerca R$ 500 milhões.
Ele recusa, no entanto, a pecha de xerife da cidade. "Se existe uma pessoa que controla o processo de investigação, ele está viciado. A ideia é que não haja um controlador, mas uma controladoria."
sábado, 9 de novembro de 2013
Contrato da Petrobras com Odebrecht é investigado
Um contrato da Petrobras com a Construtora Odebrecht, fechado em 2010 no valor de US$ 825,6 milhões para serviços na área de segurança e meio ambiente, em dez países, está sendo investigado por suspeita de superfaturamento. O acordo incluiu previsão de pagamento, na Argentina, de R$ 7,2 milhões pelo aluguel de três máquinas de fotocópias; R$ 3,2 milhões pelo aluguel de um terreno próprio da Petrobras e salário mensal de pedreiro de R$ 22 mil nos Estados Unidos, segundo documentos sigilosos da companhia obtidos pelo 'Broadcast', serviço em tempo real da 'Agência Estado'.
Ainda em vigor, o contrato 6000.0062274.10.2, chamado de PAC SMS, foi fechado pela área internacional na gestão José Sergio Gabrielli e reduzido quase à metade neste ano, na gestão Graça Foster. Grande parte dos 8.800 itens apresentava indícios de irregularidades, segundo auditoria interna da Petrobras.
O corte interno já realizado, de pelo menos US$ 344 milhões, aconteceu depois de crivo da auditoria, que considerou a contratação equivocada e recomendou sua revisão. Antes da redução, o contrato foi aplicado durante dois anos e meio para ativos na Argentina, Estados Unidos, Paraguai, Uruguai, Chile, Colômbia, Bolívia, Equador e Japão, além de Brasil. "Muito dinheiro já tinha sido gasto quando houve o corte, esse foi o problema", disse uma fonte da Petrobras que pede para não ter a identidade
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Governo de SP adota três ciclos com possibilidade de reprovação
A partir de 2014 a rede pública do Estado de São Paulo aumentará o número de anos em que os alunos podem ser reprovados. Em anúncio realizado na manhã desta sexta-feira (8), no Palácio dos Bandeirantes, o governador Geraldo Alckmin explicou que o ensino fundamental será dividido em três ciclos com possibilidade de reprovação. A mudança da rede deve afetar 2,5 milhões de estudantes.
Alckmin diz que ampliar números de séries de reprovação tem cunho 'pedagógico'
O novo plano prevê que o ensino fundamental seja dividido em três ciclos: do 1º ao 3º ano; do 4º ao 6º ano e do 7º ao 9º ano. Ao final de todos eles será possível a reprovação dos estudantes.
O anúncio acontece três meses depois da Prefeitura de São Paulo lançar um plano que amplia a possibilidade de reprovação no 3º, 6º, 7º, 8º e 9º anos, que também será adotado em 2014.
Na apresentação, o secretário de educação, Herman Voorwald, fez questão de enfatizar que o plano vem sendo estudado desde 2011 e foi discutido com os profissionais da rede.
"Não teve nenhuma interferência [do plano da Prefeitura para que essa mudança ocorresse]. A reestruturação vem sendo discutida na rede há três anos", disse o governador Alckmin.
Na avaliação do secretário de educação, a mudança ajudará a acompanhar o desenvolvimento dos alunos de ensino fundamental que vêm da rede municipal. Segundo ele, 82% dos estudantes de escolas estaduais já passaram por redes municipais.
"É fundamental que haja no início do ciclo dois [6º ano] uma avaliação para saber se esse aluno tem condições de continuar", secretário.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Alta do dólar eleva custo dos alimentos no Brasil em outubro
A valorização do dólar ante o real foi o principal motivo para a alta de 1,03% no preço dos alimentos no Brasil em outubro deste ano. Segundo a coordenadora de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos, a necessidade de importar produtos como o trigo elevou o custo alimentício no país.
"Houve problemas com a safra do trigo na Argentina e no próprio Brasil. Tivemos que importar trigo de mercados onde o produto é mais caro. O trigo aumentando espalha a inflação por outros produtos como o pão francês e o macarrão", disse Eulina.
O custo da ração animal, também afetado pela alta do dólar, contribui para a inflação de alimentos como as carnes e o frango. As carnes, com taxa de 3,17%, foram o item que mais contribuiu para a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 0,57% em outubro.
Também tiveram impacto importante no IPCA de outubro, a refeição fora de casa (1,05%) e o tomate (18,65%). No ano, os alimentos acumulam variação de 6,92%.
Entre os não alimentícios, o principal impacto veio do aluguel residencial, com inflação de 1,02%. Já entre os itens que contribuíram para evitar que a alta da inflação fosse maior em outubro estão: energia elétrica (-0,58%), passagem aérea (-1,96%) e excursão (-2,11%).
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Dilma diz que EUA devem 'desculpas' e afirma que Abin agiu 'dentro da lei
A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (6) que apenas um pedido de desculpas dos Estados Unidos poderia normalizar completamente a relação entre os dois países. "Só tem um jeito de resolver esse problema [da espionagem]: se desculpar pelo que aconteceu e dizer que não vai acontecer mais. Até o momento não foi possível essa solução", disse durante entrevista ao Grupo RBS.
Alvos brasileiros de espionagem
Telefonemas, e-mails e IPs de computadores de Dilma e seus assessores
Rede privada de computadores da Petrobras
Telefonemas e e-mails do Ministério de Minas e Energia
Dilma e diversas empresas brasileiras tiveram seus sigilos de email e telefone violados pela NSA (Agência Nacional de Segurança) dos Estados Unidos, de acordo com dados fornecidos pelo dissidente Edward Snowden ao jornalista Glenn Greenwald.
A presidente também afirmou que a espionagem feita pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) contra diplomatas estrangeiros em 2003 e 2004 foi legal.
"Não dá para comparar o que a Abin fez [com a espionagem dos EUA], até porque não violou privacidade. Está previsto na legislação brasileira, não cometeram nenhuma ilegalidade. Se tivessem cometido, teriam sido afastados", disse.
Segundo ela, as ações da agência foram basicamente de contrainteligência, já que procuravam localizar espiões estrangeiros.
Novas denúncias
De acordo com a presidente, o cancelamento da viagem de Chefe de Estado que faria aos EUA se deveu também ao receio de que novas denúncias de espionagem pudessem emergir durante sua visita.
"Se eu fosse aos Estados Unidos, eu e o Obama estaríamos submetidos ao constrangimento de uma nova denúncia. E aí essa seria a pauta, seriam as novas denúncias, e não nossas realizações", afirmou.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Itaú vende ações da OGX, de Eike, em fundos de investimento
O Itaú Unibanco vendeu ações da petroleira OGX, de Eike Batista. Segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite desta segunda-feira (1º), a soma de ações dos fundos de investimentos sob a gestão do banco foi reduzida de 7,27% em 30 de agosto deste ano para 0,52%.
"A soma das ações detidas pelo conjunto de fundos de investimento sob sua gestão atingiu 16.698.200 ações, equivalentes a 0,52% do total das ações ordinárias (OGXP3) emitidas por essa Companhia, configurando alienação de participação acionária relevante, nos termos do art. 12 da Instrução CVM 358/2002", diz o comunicado.
Em nota do Itaú endereçada à OGX, divulgada no comunicado da petroleira, a alienação dessa participação reflete "o rebalanceamento da carteira dos fundos passivos", em função da exclusão da ação OGXP3 dos índices de ações da BM&FBovespa a partir desta segunda-feira (1º).
Na última quarta-feira (30), a petroleira entrou com pedido de recuperação judicial. "Em vista da situação financeira desfavorável em que se encontra, dos prejuízos por ela já acumulados, bem como do vencimento recente e vindouro de grande parte de seu endividamento", segundo informou o fato relevante na ocasião.
A medida já vinha sendo aguardada pelo mercado, com a proximidade do fim do prazo para que a empresa agisse e evitasse um calote formal de sua dívida. O processo de recuperação judicial da petroleira é o maior da história de uma empresa latino-americana, segundo dados da Thomson Reuters.
A recuperação judicial é um instrumento da legislação brasileira que permite que empresas que perderam a capacidade para pagar suas dívidas possam continuar operando enquanto negociam com seus credores, com a mediação da Justiça, para tentar evitar a quebra definitiva.
O processo com o pedido de recuperação judicial da petroleira OGX, controlada por Eike Batista, foi encaminhado na segunda-feira (4) ao Ministério Público do Rio de Janeiro. O despacho é do juiz Gilberto Clovis Faria Mattos.
Agora o MP tem o prazo de até 15 dias para dar seu parecer.
De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o parecer do MP pode ser pela concessão ou não da recuperação judicial, mas a decisão cabe ao juiz. Dessa forma, o Ministério Público analisa se a documentação do pedido está completa, se está tudo dentro da lei etc. O MP pode, por exemplo, solicitar a inclusão de informações e documentos para deixar o processo completo.
Se o pedido for aprovado pela Justiça, a OGX tem 60 dias para apresentar o plano de recuperação judicial ao juiz, ou pode ser decretada a falência. Apresentando o plano, o juiz vai divulgá-lo para que os credores se manifestem. Se não houver oposição, ou seja, se ninguém disser não aceito, o juiz pode dar esse plano por definitivo.
O prazo para que os credores aprovem esse plano é de 180 dias (também contados a partir do despacho do juiz). Se o plano não for aprovado em assembleia, a empresa quebra, e o juiz decreta falência. Aprovado o plano, ele é implementado e precisa ser seguido à risca.
espionagem de Brasil e EUA são 'completamente diferentes'
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta terça-feira (5) que o tipo de espionagem praticada pelo Brasil e aquela que, segundo denúncias, é feita pelos Estados Unidos, são “completamente diferentes”. Cardozo deu a declaração após participar de evento em que lançou a nova campanha do ministério sobre direito do consumidor.
Nos últimos meses, denúncias publicadas na imprensa brasileira e internacional revelaram que a agência de inteligência norte-americana (NSA) espionou dados e comunicações de governos de vários países, entre eles o Brasil. As denúncia levaram a presidente Dilma Rousseff a suspender viagem oficial que faria a Washington e a propor na ONU, junto com a Alemanha, um conjunto de regras de privacidade na internet.
saiba mais
Nesta segunda-feira (4), em meio aos protestos do governo brasileiro contra a espionagem norte-americana, o jornal "Folha de S.Paulo" publicou reportagem que dizia que o Brasil monitorou as atividades de diplomatas da Rússia, do Irã e do Iraque em 2003 e 2004.
Para o ministro Cardozo, a ação praticada pelo Brasil, confirmada pelo Gabinete de Segurança Institucional, foi “absolutamente legal”. Segundo ele, “não houve interceptação não autorizada” pelo Judiciário.
“Vejo situações completamente diferentes [ação do Brasil e dos EUA]. Qualquer tentativa de confundi-las me parece equivocada. O que o Brasil sofreu foi violência do sigilo, violação de mensagens, de ligações. A violação dos Estados Unidos afronta a nossa soberania e o Brasil teve reação forte. E o mais importante, e vale ressaltar, ela [ação praticada pelo Brasil] foi feita em território nacional”, afirmou.
Cardozo disse ainda que o monitoramento do Brasil se classifica como uma ação de "contraespionagem", procedimento que, segundo ele, "todos os países fazem e têm de fazer".
“O que li foi que houve contraespionagem. Isso é absolutamente legal nas regras. Quando você acha que há espiões atuando no Brasil, você deixa de espionar? Não. Você faz a contraespionagem, para saber se eles estão espionando ou não. Não vejo nenhum abalo. Todos os países fazem e têm que fazer contraespionagem. O que não posso fazer é violar a soberania das pessoas. Contraespionagem não é espionagem. Ao que li, não houve interceptação não autorizada pelo Judiciário, não houve ofensa à lei”, completou o ministro.
Em nota divulgada nesta segunda, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela Abin, admitiu a existência das ações, mas afirmou que "as operações obedeceram à legislação brasileira de proteção dos interesses nacionais".
O GSI informou que não pode confirmar se o documento a que a Folha teve acesso é autêntico, porque não teve acesso a ele. A nota afirma ainda que as ações foram de "contrainteligência" e que o vazamento de dados sigilosos é crime. O governo diz que vai processar os responsáveis pelo vazamento.
Operações
De acordo com a "Folha de S. Paulo", foram dez operações. Diplomatas russos envolvidos com negociações de equipamentos militares foram fotografados e seguidos em suas viagens. O relatório aponta que a Abin desconfiava de espionagem dos russos no Brasil. A operação batizada de Miúcha monitorou três diplomatas russos, incluindo o ex-cônsul-geral no Rio Anatoly Kashuba. Representantes da Rosoboronexport, a agência russa de exportação de armas, também foram alvo.
No caso dos diplomatas iranianos, a "Folha de S.Paulo" diz que foram vigiados para que a Abin identificasse seus contatos no Brasil. Entre outros, a operação Xá monitorou a rotina e os contatos do embaixador do Irã em Cuba, Seyed Davood Mohseni Salehi Monfared, em visita ao Brasil em abril de 2004.
A embaixada do Iraque também foi monitorada, na época em que o país foi invadido pelos EUA. Segundo a reportagem, o governo brasileiro constatou que muitos diplomatas buscavam refúgio no Brasil e por isso houve necessidade de segui-los.
A reportagem não cita os resultados dos monitoramentos.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Abin ameaça punir seus agentes por vazamento
O GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República) divulgou nota duríssima nesta segunda-feira (4.nov.2013) ameaçando punir os funcionários do governo brasileiro que possam ter facilitado o acesso a documentos secretos sobre atividades de espionagem.
Mesmo dizendo respeitar “os preceitos constitucionais de liberdade de imprensa”, o Planalto informa, ameaçando, “que o vazamento de relatórios classificados como secretos constitui crime e que os responsáveis serão processados na forma da lei”. Foi uma resposta à reportagem de Lucas Ferraz sobre a Abin ter espionado funcionários de governos estrangeiros no Brasil nos anos de 2003 e 2004.
O GSI declara que a Abi faz “operações de contrainteligência”. Reafirma que “a determinação do governo sobre as atividades de inteligência é de absoluto cumprimento à legislação”. Não explica, entretanto, como isso seria possível se as atividades de espionagem são feitas tendo como alvo funcionários de governos estrangeiros que têm permissão legal para estar no Brasil.
Uma pergunta: todos os funcionários de governos estrangeiros podem se sentir alvos eventuais de “operações de contrainteligência”, inclusive incluindo serem seguidos e espionados de maneira furtiva?
Na nota, o GSI afirma que os vazamentos e “eventuais infrações são passíveis de sanções administrativas, abertura de processo de investigação e punições na forma da lei”.
domingo, 3 de novembro de 2013
OGX, de Eike, sabia desde 2012 que reservas poderiam ser 82% menores
Um ano antes de a real situação da empresa vir à tona, estudos feitos a pedido da diretoria da OGX, de Eike Batista, indicavam que as principais áreas de petróleo da empresa na bacia de Campos (RJ) poderiam ter reservas equivalentes a apenas 17,5% do que fora divulgado ao mercado, revelam documentos da petroleira obtidos pela Folha.
As projeções pessimistas, fruto de avaliações de técnicos da OGX e confirmadas por uma prestadora de serviços externa, chegaram a provocar uma briga dentro da empresa e não foram tornadas públicas na época. A petroleira preferiu aguardar a produção de alguns poços.
Relatório mostrava prejuízo em campos
Por meio de uma nota, a OGX disse que "sempre manteve o mercado atualizado sobre os projetos de produção, evitando a divulgação de informações incompletas". Com dívidas de R$ 11 bilhões, a empresa pediu recuperação judicial na quarta-feira passada, com as ações a R$ 0,13.
Segundo os documentos, os engenheiros de reservatório da OGX, responsáveis por determinar a extensão das reservas economicamente viáveis, apontaram, em julho de 2012, que a empresa poderia retirar 315 milhões de barris das principais áreas em Campos --bem abaixo do 1,8 bilhão de barris informado ao mercado de capitais.
Um segundo relatório, feito meses depois, apontou na mesma direção.
Preparado por um grupo que incluiu a Schlumberger, renomada empresa do setor, aprofundou a avaliação sobre áreas específicas, que se transformaram nos campos de Tubarão Areia, Tubarão Tigre e Tubarão Gato.
O volume de petróleo economicamente viável (recuperável) para essas áreas foi estimado em 43 milhões de barris, menos que a avaliação inicial dos técnicos da OGX (75 milhões) e que a última informação disponível ao mercado, de no mínimo 1,4 bilhão de barris.
Segundo o artigo 157, parágrafo 4, da Lei das Sociedades Anônimas, "os administradores são obrigados a comunicar imediatamente fato relevante que possa influir na decisão dos investidores".
No parágrafo 5, diz que "os administradores poderão recusar-se a prestar informação se entenderem que sua revelação porá em risco interesse legítimo da companhia".
"Eles deveriam ter divulgado que havia uma incerteza tão grande sobre as estimativas. O julgamento do que estava correto deveria ter sido deixado para o investidor", opina Norma Parente, ex-diretora da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
sábado, 2 de novembro de 2013
Se Aécio for o candidato do PSDB, vou trabalhar por ele, diz Serra
Embora ainda se apresente como pré-candidato a presidente pelo PSDB, José Serra faz agora uma inflexão no seu discurso. Diz que vai trabalhar a favor da unidade do partido, "com quem for o candidato", ele ou o senador tucano Aécio Neves, de Minas Gerais.
"É a minha grande aspiração, que o PSDB esteja unido. Com quem for o candidato. Trabalharei para isso, não tenha dúvida", afirmou em entrevista ao programa Poder e Política, da Folha e do UOL. Mas fará campanha, de maneira incessante, a favor de Aécio Neves? "Farei, farei, trabalharei para que a haja unidade, primeiro. E segundo, havendo unidade, para que a unidade se projete na campanha".
A declaração de Serra, é claro, pode ser interpretada com ressalvas. Por exemplo, quando ele diz que trabalhará pelo mineiro "havendo unidade". Adversários podem enxergar insinceridade no apoio prometido a Aécio. Mas o tucano também poderia ter tergiversado quando indagado sobre se faria campanha para o colega mineiro. Preferiu ser direto.
Trata-se de uma mudança em relação ao tom quase beligerante das últimas semanas, quando o tucano paulista passou a viajar pelo país para se apresentar como uma alternativa ao nome de Aécio, hoje o favorito para conquistar no PSDB a vaga de candidato a presidente em 2014.
E quem seria mais de esquerda, Serra, 71 anos, ou Aécio, 53 anos? O paulista reagiu dizendo que a pergunta era "engraçada". Sorriu e explicou que a trajetória de vida dos dois é muito diferente: "Não dá para comparar banana com laranja". Mas ele estaria à direita ou à esquerda do mineiro? "À direita, não estou", respondeu. Ao final, afirmou que ambos são "progressistas".
Sobre o prazo para definição, Serra é ambíguo. Há um acordo entre ele e Aécio para que o nome do candidato a presidente pelo PSDB seja anunciado em março. O paulista, entretanto, introduz um reparo: "A partir de março". Depois, é evasivo: "Se se achar que não tenha, que não há condições de maturidade para se tomar uma decisão...". Dá a entender que gostaria de estender ao máximo essa tomada de posição dentro do PSDB.
A seguir, trechos da entrevista:
*
Folha/UOL - O governo federal realizou recentemente o leilão para a partilha do campo de Libra, do pré-sal. Aécio Neves fez críticas ao modelo adotado. Disse que seria preciso reestatizar a Petrobras. O sr. concorda?
José Serra - O primeiro defeito dessa exploração do campo de Libra foi a demora. Demorou e o Brasil vai acumulando déficit de petróleo com a Petrobras em situação dificílima.
Segundo, a coisa foi mal equacionada. Não houve leilão. Só tinha um concorrente. Houve uma organização de cartel. O governo trabalhou para montar um grupo que explorasse o petróleo, inclusive sinalizando os nomes daqueles que iriam ocupar a Petrosal, que é a empresa que vai administrar o conjunto do processo mesmo não tendo nenhum capital.
Houve um cartel?
Claramente. Inclusive para que entrassem estrangeiros, como a Total e a Shell. O que aconteceu ali foi que foram anunciados os nomes dos diretores da Petrosal. Para convencer os investidores estrangeiros que seriam pessoas de confiança deles.
A mudança do processo de concessão para o processo de partilha foi desnecessária. Foi feita no bojo da campanha de 2010, para dar uma ideia de que haveria uma política mais nacionalista. Tanto a concessão quanto a partilha são métodos ideologicamente parecidos. Na verdade, deram nó em pingo d'água. Nesse aspecto, o Aécio tem razão.
Há no Senado um projeto propondo autonomia completa para o Banco Central. Qual é a sua posição?
Sou contra. O Banco Central já tem, na prática, autonomia operacional. Se você torna o presidente do BC imune, passa a ser um outro poder. Se ele tiver um mau desempenho, o processo de retirar é muito complexo. Vai desestabilizar a economia. O Fernando Henrique não pensa diferente. Tenho a impressão que o Aécio [Neves] também não pensa diferente, nem o Aloysio Nunes [Ferreira].
O ex-presidente Lula fez críticas a Marina Silva por ela ter reconhecido o papel do ex-presidente Fernando Henrique na estabilização da economia do país. É tática eleitoral?
Sem dúvida, sem dúvida.
Lula e o PT têm sido exitosos com essa tática em várias eleições. Por que eles conseguem que essa ideia prevaleça?
Porque são bons nesse ramo. No ramo de marketing o PT é bom e o PSDB não é bom. Outras forças de oposição também não são. É uma questão de saber deslocar o eixo das discussões para onde eles querem deslocar.
Mas é só marketing?
Você quer um exemplo? Fome Zero. Fome Zero nunca existiu. Se você fizer uma pesquisa hoje e for avaliar o Fome Zero, a avaliação é positiva. Ou seja, tem um clima que favorece isso. Agora, em grande medida é marketing. Lembro que nos primeiros anos de administração do Lula, ele se dedicou na política econômica a acalmar o sistema financeiro. Aliás, o sistema financeiro nunca ganhou tanto dinheiro na história quanto na administração petista. Isso diz o Lula, diz todo mundo. Evidentemente não é isso que eles ostentam durante uma campanha eleitoral.
Mas o sr. disse "eles são bons de marketing, tiveram êxito..."
E a oposição não é. E eu me incluo nisso.
O sr. está traçando um futuro plúmbeo para a oposição...
A oposição tem que aprender. A oposição tem que ter um programa correto. Tem que saber apresentar, tem que saber sair das esparrelas. E, por outro lado, eu acredito que esse modelo publicitário está se esgotando.
Será?
O que aconteceu nas ruas [em junho] tem algum lado de insatisfação com esse "publicitarismo". Grandes anúncios que não dão em nada. Se você for ver hoje a aprovação do governo Dilma vis-à-vis o grau de exibição que ela tem na mídia livre e na mídia oficial, há uma diferença grande entre a intensidade e o resultado que na prática se obtém.
O sr. vai disputar a indicação para ser o candidato a presidente pelo PSDB?
O PSDB, por acordo, ficou de decidir isso mais adiante. Em março, a partir de março do ano que vem. Tenho seguido um pouco essa decisão. Aí nós vamos ver qual é a situação.
O que eu vou fazer sempre é: me alinhar na perspectiva de fortalecer a oposição para que possa ser uma alternativa de poder no Brasil. O que eu fizer vai estar subordinado a esse critério. E fá-lo-ei, digamos, dentro do PSDB.
O sr. quase saiu do PSDB?
Era uma hipótese. Mas concluí minha análise achando que eu posso contribuir mais dentro do PSDB.
Há um acordo no PSDB sobre como definir o candidato a presidente. Quais serão os critérios?
As circunstâncias. As outras candidaturas. Hoje, nenhum partido definiu de fato. O que aconteceu com [a aliança entre] Marina Silva e Eduardo Campos era inteiramente imprevisível. O imprevisível tem um papel importante.
Em março, o desempenho em pesquisas será relevante?
Sempre é. Embora tenha que se fazer ponderações. Por exemplo, é normal que, tanto o nome da Marina quanto o meu tenha um nível mais alto que os outros, porque disputamos eleição presidencial.
Em princípio isso não é um fator decisivo. Os outros candidatos podem crescer.
Como deve ser o processo de decisão?
Terá que haver conversas entre dirigentes. Auscultar o partido. O processo não é muito definido. Formalmente, a convenção é em junho. Pela lei, é em junho.
Mas e em março?
Em março, a partir de março, se se achar que não tenha condições de maturidade para se tomar uma decisão... Veja, a ideia de março, inclusive, veio do Aécio. É uma ideia que foi colocada e me pareceu razoável. Em março a gente para e olha.
É possível uma chapa presidencial do PSDB composta com Aécio Neves e José Serra?
Nós não temos candidato ainda. Imagine escolher vice, a esta altura. Sobretudo, decidir que vice é do PSDB, é chapa pura, sem ter o quadro dos aliados já definido. Parece muito prematuro.
Prematuro e improvável ou só prematuro?
Hoje, parece pouco provável uma vez que você tem que ter os aliados definidos. Mas já tendo o esquema montado é uma questão que pode ser analisada. Mas é bem posterior. Primeiro, você tem que ter um candidato definido, depois um quadro de alianças definido. Enfim, falta coisa pela frente.
Se Aécio Neves for o candidato a presidente, o PSDB e o sr. estarão unidos em torno dele?
É a minha grande aspiração, que o PSDB esteja unido. Com quem for o candidato. E eu trabalharei para isso, não tenha dúvida.
O sr. fará campanha, de maneira incessante, a favor de Aécio Neves?
Farei, farei. Trabalharei para que a haja unidade, primeiro. E segundo, havendo unidade, para que a unidade se projete na campanha, sem dúvida nenhuma.
O sr. acha que Aécio Neves fez campanha para o sr. com a intensidade que deveria ter feito em 2010?
Ele fez campanha me apoiando e segundo a estratégia que eles adotaram em Minas Gerais, inclusive no segundo turno.
Qual estratégia?
De ganhar eleição no governo estadual. Isso sempre é um fator que se impõe. Para deixar bem claro: eu não perdi a eleição porque podia ter tido mais votos em Minas. A derrota em 2010 foi porque tudo crescia 10% -a massa de salários, o crédito ao consumo. Foi um período de euforia, com o governo Lula lá nas nuvens de avaliação.
Qual dos dois, Aécio Neves ou José Serra, estaria mais à esquerda hoje?
[Risos] Engraçada a pergunta. Acho que categoria esquerda-direita já é meio batida.
O sr. está à esquerda ou à direita de Aécio?
À direita, não estou.
À esquerda?
Depende do ângulo que se olhe. Tenho uma biografia de militância de esquerda longa. São histórias diferentes, difíceis de comparar. Não dá para comparar banana com laranja, digamos. São formações diferentes, perfis diferentes, personalidades diferentes. É muito difícil. Acho que ambos somos, para usar um termo genérico, progressistas.
Se a eleição afunilar entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, alguns tucanos dizem: "Serra ficará com Dilma"...
[risos] É brincadeira, né? É tão provável quanto esse seu iPad sair voando, batendo asas aqui no estúdio.
Não tem chance?
Não.
Se não for candidato a presidente, o que pretende fazer? Disputar uma vaga ao Senado é uma possibilidade?
Tem diversas possibilidades. Não me detive a analisar nenhuma. É um problema metodológico: se não vou resolver, não fico dando volta na cabeça com isso.
Há possibilidade de não haver nenhum representante de São Paulo com chance de ser presidente da República...
Desde 1950, a última vez que São Paulo não teve um candidato a presidente.
É motivo de desalento para São Paulo?
Não creio. Primeiro não sabemos o que vai acontecer de fato. Segundo, São Paulo não é um Estado que tenha um espírito muito regionalista. Não há 'pátria paulista'.
O ex-presidente Lula ainda pode vir a ser candidato a presidente, em 2014?
Parece-me que sim. Quando você pega avaliações de governo, em geral não dá uma diferença grande entre a taxa de aprovação e desaprovação [para o governo Dilma]. E acima de tudo, qualquer pesquisa, de qualquer instituto, mostra também "desejo de mudança".
Em 2010, eu estava muito à frente das pesquisas. No entanto, as próprias pesquisas diziam que o pessoal não queria mudar muito. Aquele era um indicador de que a disputa ia ser acirrada.
Agora, o indicador de que a disputa vai ser acirrada é o fato de que o pessoal quer mudança.
Por que Lula poderia substituir Dilma?
Acho que o PT não quer perder o poder de jeito nenhum. Nenhum partido quer. Mas para o PT é muito especial. Sabe por quê? Porque eles se misturaram com o poder. O PT se apossou do governo e deixou uma parte para os aliados. Toda a máquina hoje está confundida com o governo. Para eles é uma questão de sobrevivência. Eles vão fazer tudo para ganhar. Se os dados apontarem que Dilma eventualmente não seria capaz de ganhar no primeiro turno, acho que o PT não vai correr o risco. Um segundo turno para ela é arriscadíssimo.
Mas o PT ganhou outras eleições no segundo turno...
Era diferente. O quadro nacional era outro. O desejo de mudança era praticamente nenhum, pequeno. O quadro da economia era eufórico. Não acho que a economia vá afundar no ano que vem. Vai continuar esse desempenho medíocre. O quadro é outro, e o desejo de mudança é grande.
Quem é mais competitivo: Eduardo Campos ou Marina Silva?
Hoje, seria a Marina, do ponto de vista da análise política, se você for pegar a pesquisa.
Ela poderia ter para Eduardo Campos o mesmo papel que teve Lula para Dilma?
São características muito diferentes. A Marina é uma pregadora introvertida. O Lula é um pregador extrovertido. Francamente, não creio que se coloque aí um paralelo.
O sr. tem uma taxa de rejeição alta. Perdeu a eleição para prefeito em São Paulo. Esses elementos o impedem de ser o escolhido do PSDB?
A questão de rejeição eu acho normal. Disputei uma eleição nacional. Sofri muitos ataques de toda a máquina petista. Quem é preferencialmente eleitor do PT me conhece e diz: 'O Serra, não. Ele é opositor nosso'. É uma coisa mais consistente. Não creio que essa coisa de rejeição seja algo assim tão forte e absoluto. É previsível. Da mesma maneira que tenho mais preferência que os outros também tenho mais rejeição, pelo fato de ser mais conhecido e ter tido embates duríssimos nessa.
O sr. considera então que taxa de rejeição é algo reversível durante uma campanha?
Em tese sim, seria.
Houve recentemente um caso rumoroso sobre o metrô de São Paulo. Um e-mail da empresa Siemens, indica que o sr. teria sugerido um acordo em uma licitação da CPTM para evitar disputa judiciais que atrasariam a entrega dos trens. O sr. acha correto um governador interferir em uma licitação para abaixar os preços ou acelerar o prazo?
Não. Aí o que houve foi outra coisa. Eu atuei contra o cartel porque ganhou uma empresa com um preço mais baixo e as que ganharam com um preço mais alto queriam derrubar a primeira empresa que ganhou com preço baixo. Eu disse: 'Se derrubarem, se forem para Justiça e derrubarem, eu refaço a concorrência. Eu não vou dar para o segundo colocado'. Foi uma posição anticartel.
Mas isso não poderia ser interpretado como advocacia administrativa, porque o seu interesse, como governador, estaria acima da comissão de licitação?
Não. Estava defendendo os preços mais baixos. Tem um cartel que quer forçar aumentar preços? Faço a concorrência de novo. Nada demais. Você tem uma concorrência, alguém ganha com preço baixo. Os que tiveram preço mais alto querem derrubar aqueles que ganharam com preço baixo. Não tenho como impedir que vão à Justiça. Se ganharem e derrubarem o primeiro [colocado], não darei para o preço mais alto. Farei nova licitação, com os preços baixos antes aprovados. Ou seja, estou defendendo os cofres públicos e enfrentando o cartel, não o contrário.
O presidente da CPTM no seu governo, Sérgio Avelleda, é réu numa ação sobre uma acusação de ter restringido a competição em um contrato para manutenção das linhas. Segundo o edital, 73 empresas teriam feito consultas à CPTM sobre a licitação. No final, só 3 delas acabaram participando. Nesse caso, não houve um estímulo ao cartel?
Não acompanhei todas as licitações havidas em meu governo. Foram centenas, milhares. O que posso dizer é que o Sérgio Avelleda tem a imagem de homem correto e de um bom administrador. Foi posto na CPTM. Foi um bom presidente. Sobre esse caso, ele pode perfeitamente explicar. Eu particularmente não conheço isso.
João Roberto Zaniboni é um ex-diretor da CPTM acusado de receber propina de R$ 1,8 milhão da Alston. Era uma pessoa que o sr. conhecia na administração?
Não. Acho que ele trabalhou no período [Mário] Covas, se não me engano. Nunca ouvi falar. Nem trabalhou no meu governo, pelo que soube.
Outro tema: manifestações violentas de rua. Os governos, com suas forças de segurança, têm sido demasiadamente lenientes com esses manifestantes violentos?
Não dá para escolher entre um e outro. Tem sido um processo de aprendizado.
Fui líder estudantil de um tempo muito agitado no Brasil. Era presidente da UNE numa época que se lutava bastante. Nunca vi nada parecido, nem do nosso lado nem do lado da direita, com marcha da família etc. Nunca vi nada tão volumoso e generalizado no Brasil.
Foi uma coisa nova, não tinha acontecido antes. Ontem, estava com os meus netos. Às 8h, eu ia embora. Tinha um compromisso e falei: 'Vou embora'. A minha neta, que tem 6 anos, virou para mim e falou: 'Você vai numa manifestação?'. Você veja, que coisa nova. Meu neto mais novo, de 4 anos, diz "eu já vi uma manifestação". Ou seja, é algo até que já entrou no vocabulário das criancinhas. É um fenômeno diferente.
Mas elas estão aí já há quase 4 meses...
E pegou de surpresa. Acho que pouco a pouco tem que se desenvolver um esquema que reprima a desordem, que é diferente de manifestação. Quebra-quebra, quebra de patrimônio público...
Entendo que seja uma coisa nova. Mas são cerca de 4 meses já. São Estados importantes: Rio de Janeiro e São Paulo. Já não houve tempo suficiente para que seja desenvolvida uma tecnologia para proteger quem quer se manifestar de maneira pacífica e reprimir aqueles que não querem?
Não é uma tecnologia simples. Você lida com gente, com pessoas. Você sabe que a chance de pegar, entre aspas, inocentes, no lugar de desordeiros, é muito grande. Acredito que pouco a pouco a polícia já está fazendo isso e vai fazer.
Tem algo que deveria ter feito e não fez?
Sabe o que tem que fazer? Ir identificando quem são. Porque você tem fotos, filmes etc.
Você deve ter grupo de extrema-direita, grupo de extrema-esquerda, você tem de tudo aí no meio. Acho que isso demanda uma tecnologia mais refinada.
Não tem como fazer mais rápido?
De fora, pode parecer lento, mas de dentro talvez seja muito difícil fazer mais depressa.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Internet brasileira deve respeitar mínimo de 70% da velocidade a partir de hoje
Entra em vigor nesta sexta-feira (1º) a norma da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) que determina que os provedores de conexão de internet banda larga respeitem uma média mensal de, no mínimo, 70% da velocidade contratada pelo cliente.
A velocidade também não deve nunca estar abaixo de 30% do valor contratado a partir de hoje. Tais exigências eram, até ontem, de 60% e de 20%, e saltarão para 80% e 40% em novembro do ano que vem.
Banda larga no Brasil crescerá 54,2% em quatro anos, diz Cisco
Isso significa que, em um teste de conexão, alguém que paga por um plano de 10 Mbps nominais deve verificar sempre que sua internet está acima de 3 Mbps. Essas porcentagens valem tanto para a taxa de download (dados recebidos) quanto para a de upload (dados enviados), que são quase sempre diferentes --a de upload é geralmente muito mais baixa.
As taxas médias são fiscalizadas pelo próprio órgão, com a ajuda de voluntários. Já a momentânea pode ser feita pelo usuário. A Anatel indica o site Brasil Banda Larga para que os clientes façam testes do serviço que contrataram e vejam se estão recebendo a velocidade exigida.
Há também aplicativos da Anatel para Android e para iOS feitos para aferir as taxas de transmissão usando o smartphone.
Abaixo, uma tabela do que foi definido pela agência em outubro do ano passado a fim de melhorar a qualidade do serviço de internet prestado no país.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Governo quer injetar R$ 5,6 milhões em segurança
O governo planeja desembolsar, nos próximos dois anos, R$ 5,6 milhões para o pagamento de gratificações a 58 servidores da secretaria responsável pela segurança da Copa e da Olimpíada. De acordo com a avaliação do próprio Executivo, o atual quadro do órgão, criado em 2011, é "frágil".
O texto do projeto de lei com o pedido de criação das funções comissionadas, encaminhado ao Congresso na semana passada, é assinado pelos ministros Miriam Belchior (Planejamento) e José Eduardo Cardozo (Justiça).
Atualmente, a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos, ligada à Justiça, tem sete cargos comissionados e 31 colaboradores, segundo o documento.
Questionada se a atual composição da secretaria teria prejudicado a atuação na Copa das Confederações, o ministério da Justiça não se manifestou. Na ocasião, devido aos protestos em todo o país, houve reforço policial em quase todas as sedes.
A secretaria será responsável por coordenar ações de segurança das 12 cidades-sedes da Copa do Mundo.
Há ainda determinação para que seja capaz de responder a todo incidente relevante, de catástrofes civis a qualquer tipo de acontecimento que coloque em risco a segurança de população, convidados, delegações e das comitivas.
A proposta apresentada pela Presidência ao Legislativo prevê o pagamento do bônus a servidores públicos. Os valores mensais variam entre R$ 1.644,90 e R$ 4.423,33 --nesse último caso, com direito a auxílio moradia.
A previsão é que, em 2014, o custo das gratificações fique em R$ 2,72 milhões. Em 2015, serão mais R$ 2,8 milhões. O projeto precisa ser aprovado por Câmara e Senado.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Mesmo com 'rebelião' de vereadores, Câmara de SP aprova aumento de IPTU
A Câmara de São Paulo aprovou na noite desta terça-feira (29), em definitivo, o projeto que aumenta o IPTU na cidade. Com a mudança, os reajustes serão de até 20% para imóveis residenciais e 35% para os demais em 2014. A partir de 2015, os limites máximos de aumento serão de 10% e 15%, respectivamente.
A gestão Fernando Haddad (PT), que teve de fazer uma série de concessões ao projeto, conseguiu 29 votos favoráveis e 26 contrários na segunda votação. A sessão foi antecedida por uma rebelião na base de apoio a Haddad, quando o PSD anunciou que mudaria de lado e votaria contra.
Com o apoio de parte do partido, na semana passada, Haddad tinha mais votos: 31 votaram pela alta do imposto.
Com medo de protestos e de novas deserções, a liderança do PT apressou a votação para esta terça. A oposição já havia pedido uma audiência pública para esta quarta, para posterior votação sobre o imposto. Com a aprovação, a audiência deve ser cancelada, o que revoltou associações que participariam e prometem entrar com ação na Justiça contra o aumento.
O projeto deve virar lei em 30 dias. Para conseguir a aprovação, além de baixar os tetos, Haddad ampliou o número de aposentados com descontos no imposto.
Com o reajuste, metade dos cerca de 3,1 milhões de imóveis da cidade pagarão aumentos seguidos até 2017, quando ocorrerá nova atualização da Planta Genérica de Valores (PGV). São imóveis que valorizaram acima dos limites. Segundo a prefeitura, a inflação estará embutida no percentual de reajuste anual deles. Já imóveis que valorizaram abaixo dos limites, pagarão somente a correção inflacionária.
ATÉ DOENTES
A aprovação foi a mais apertada da gestão Haddad, na primeira sessão com a presença de todos os vereadores neste mandato --nem na posse estavam todos, já que Mario Covas Neto (PSDB) e Toninho Paiva (PR) estavam doentes. Entre os favoráveis, Wadih Mutran (PP), 77, o mais velho da Casa apareceu no plenário de óculos escuros para proteger os olhos vermelhos e inchados, sintomas da conjuntivite.
Pastor Edmilson Chaves, seu colega de partido, voltou de uma licença médica, após passar semanas com pressão alta. Tudo para votar a favor do aumento do IPTU. Ambos foram "caçados" por petistas para garantir a aprovação do reajuste do imposto. Sem os dois votos, seria impossível que o IPTU fosse aprovado.
Isso porque, pela manhã, a bancada do PSD, partido do ex-prefeito Gilberto Kassab, anunciou que retiraria apoio à aprovação do texto.
À tarde, houve bate-boca durante toda a sessão. A oposição queria adiar a votação a qualquer custo.
Floriano Pesaro (PT) e Paulo Fiorilo (PT) gritaram um com o outro. Mario Covas Neto colou um adesivo no terno: "Maldadd. IPTU mais caro, não", dizia.
"Estamos sendo forçados a votar. É muita truculência", disse Ricardo Young (PPS).
Na primeira votação, dentre os 31 votos favoráveis, cinco eram de vereadores do PSD. Lá, só três dos parlamentares do partido de Kassab se manifestaram contra. Ontem, o único favorável foi Souza Santos.
O PMDB, do vice-presidente Michel Temer, votou a favor. No PROS, mudou de voto o vereador Ota, que de a favor passou a contra.
A mudança ocorreu depois da publicação da pesquisa Datafolha, publicada na última segunda-feira, que mostrou que 89% dos paulistanos são contra a alta do imposto. Com a repercussão negativa, parlamentares optaram por mudar seus votos.
A Folha apurou que interlocutores de Haddad na Câmara negociaram ampliar o espaço de aliados em secretarias e subprefeituras para manter os votos. Vereadores do PSD e do PMDB estariam pleiteando mais espaço na gestão Haddad, especialmente em subprefeituras, segundo parlamentares. Os partidos negam que estivessem negociando cargos. Porém, nos bastidores, parlamentares que já tem espaço na gestão dizem terem sido ameaçados a retirar seus aliados que ocupam postos no Executivo. O PT nega a pressão.
Para garantir a maioria, o PT também trouxe de volta um parlamentar que ocupava até então a secretaria do Verde e do Meio Ambiente. O vereador Ricardo Teixeira (PV), que era o chefe da pasta até a sexta-feira passada, retomou nesta tarde sua vaga na Câmara de São Paulo para votar a favor do aumento do IPTU. No lugar de Abou Ani, que votou contra, Teixeira votou a favor.
Ele foi obrigado a deixar o cargo após decisão judicial em que acusado de improbidade administrativa, numa ação de 2007. "Meu mandato não foi afetado, voto com o governo", disse.
A decisão de Teixeira bateu de frente com o partido, já que Roberto Tripoli e Dalton Silvano votaram contra. "Meu eleitor é contra o aumento", disse Tripoli, que declinou neste ano o convite para ser secretário.
A debandada do PSD foi compensada com o voto de George Hato [PMDB], que assim como Mutran e Chaves não votaram na última sessão, mas compareceram ontem.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Instituto Royal diz que beagle recuperado não é de site de venda
O Instituto Royal divulgou ontem que o beagle recuperado na sexta-feira (25) não é o mesmo de um anúncio de venda divulgado em um site na internet, diferentemente do que havia anunciado anteriormente.
Em nota enviada à imprensa, o Instituto Royal disse que "as informações que possibilitaram o resgate do beagle foram obtidas em redes sociais". Segundo o instituto, o beagle encontrado é um dos levados durante a invasão ao laboratório, no dia 18. A identificação foi feita por um chip implantado no animal.
O cachorro foi recuperado em Valinhos (a 85 km de São Paulo) por meio de uma ordem judicial obtida pelo instituto. Ele passou por exames veterinários para verificar suas condições de saúde, em local secreto "para garantir sua segurança e dos tratadores", informou o Royal.
Outros dois cachorros estão desde o dia 19 sob a guarda do deputado federal Ricardo Trípoli (PSDB), nomeado fiel depositário pela Polícia Civil. O instituto disse que está "analisando a questão." O deputado é relator de uma comissão externa criada pela Câmara para investigar irregularidades no instituto.
Mais um beagle foi encontrado na quarta-feira (23) por um morador do bairro Marmeleiro, em São Roque. Segundo a prefeitura, ele levou o animal para casa e avisou a polícia, que o encaminhou para o Departamento de Zoonoses do município.
No dia seguinte (24), o cachorro foi levado a uma associação de proteção aos animais, que se prontificou a ficar com ele.
Ao todo, 178 cachorros foram levados na ação dos ativistas, que acusam o laboratório de maus-tratos com animais durante experimentos científicos.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Brasil agora cobra 'calotes' da Venezuela
Depois de estimular negócios com a Venezuela, o governo do Brasil agora cobra do país vizinho "calotes temporários" de exportações de empresas brasileiras feitas neste ano.
Em alguns casos, o atraso nos pagamentos de produtos vendidos ao mercado venezuelano, que vive um momento de escassez, chega a quatro meses.
A situação já preocupa os empresários brasileiros, especialmente os que começaram a negociar mais recentemente com a Venezuela, e levou o governo a enviar uma missão ao país para tentar solucionar o problema.
Na segunda-feira passada, o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e o assessor especial da presidente para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, viajaram a Caracas para conversar com autoridades venezuelanas sobre os atrasos, segundo apurou a Folha.
Oficialmente, a missão brasileira teve como objetivo reforçar a disposição brasileira de ajudar o parceiro comercial a superar sua crise de abastecimento, mas os pagamentos atrasados foram um dos temas principais.
Nesta semana, a Venezuela informou que terá de importar 400 mil toneladas de alimentos de países latino-americanos em novembro e dezembro, sendo que 80 mil toneladas de carne e grãos virão do Brasil.
O calote temporário está sendo provocado principalmente pela crise econômica na Venezuela, que faz o governo local exercer forte controle sobre a saída de dólares, o que tem atrasado o pagamento de suas importações.
O total dos pagamentos em atraso não é revelado, mas o montante em jogo é significativo: o Brasil exportou para a Venezuela US$ 3,1 bilhões até setembro.
Segundo um empresário ouvido reservadamente, o maior problema está na exportação de alimentos, setor que recebeu estímulo do governo brasileiro para aumentar as vendas à Venezuela diante do quadro de escassez.
A Folha apurou que os atrasos no pagamento de exportações de carnes bovinas e de frango estão na casa de quatro meses. Até setembro, as vendas destes produtos à Venezuela somaram US$ 737 milhões. A BR Foods e a JBS são algumas das empresas que exportam para lá.
Há um histórico de atrasos. Eles, entretanto, nunca foram tão grandes. O problema começou com o setor de construção pesada.
Neste ano, representantes das empreiteiras reclamaram às autoridades venezuelanas e os pagamentos, que estavam suspensos, foram parcialmente retomados.
A Odebrecht, que possui obras importantes no país, como as do metrô de Caracas, já enfrentou problemas no passado recente.
A relação Brasil/Venezuela ganhou impulso no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e seguiu no mesmo ritmo no de Dilma Rousseff, estimulando parcerias e defendendo politicamente a administração de Hugo Chávez (1954-2013) e de seu sucessor Nicolás Maduro.
Parcerias que nem sempre foram bem-sucedidas, como a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. O negócio era para ser uma sociedade entre a Petrobras e a venezuelana PDVSA, que até hoje não colocou dinheiro no projeto.
VIÉS
domingo, 27 de outubro de 2013
Lei seca no Brasil é tema de redação do Enem 2013
O MEC (Ministério da Educação) divulgou neste domingo (27) que o tema da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2013 é "Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil". Os candidatos terão 5h30 para escrever uma redação sobre esse tema e responder a 90 questões de múltipla escolha sobre linguagens e códigos e matemática.
Segundo o ministério, "os participantes devem desenvolver um texto dissertativo-argumentativo segundo os critérios definidos no edital do exame" a partir de "leitura dos textos motivadores apresentados no exame".
Este ano, a redação terá correção mais rigorosa. Após textos com hino de time e receita de macarrão no ano passado, o MEC (Ministério da Educação) prometeu que redações com gracinhas e com trechos desconexos receberão zero.
A correção também será mais exigente em relação a erros de ortografia, serão aceitos como excepcionais e sem reincidência. Em 2012, candidatos que escreveram "trousse" e "enchergar" em seus textos receberam nota máxima (1.000).
Os professores do Curso e Colégio Objetivo farão a correção online do Enem 2013 aqui no UOL a partir das 19h30 (horário de Brasília. Confira a correção comentada do 1° dia.
Portões fechados
Os portões dos locais de prova foram fechados às 13h (horário de Brasília) para o segundo dia do Enem 2013 (Exame Nacional do Ensino Médio). Os candidatos terão 5h30 para resolver 90 questões de múltipla escolha sobre linguagens, códigos e suas tecnologias e matemática e suas tecnologias e escrever uma redação neste domingo (27).
Primeiro dia de prova
No sábado, foram aplicadas as provas de ciências humanas e suas tecnologias e de ciências da natureza e suas tecnologias, com duração de 4h30. O primeiro dia de provas do Enem 2013 teve questões sobre reforma agrária, protestos na Europa em 2011 e território palestino.
Durante a prova, candidatos voltaram a publicar fotos do Enem em redes sociais, como já havia acontecido ano passado. O MEC anunciou que 24 estudantes foram eliminados do exame por esse motivo.
sábado, 26 de outubro de 2013
MEC elimina 21 candidatos que postaram fotos do Enem na internet
O MEC (Ministério da Educação) informou neste sábado (26) que 21 candidatos foram eliminados por postar fotos da prova do Enem 2013 (Exame Nacional do Ensino Médio) na internet. Ontem, o ministro Aloizio Mercadante já havia dito que as redes sociais seriam monitoradas para identificar quem postasse fotos durante o exame.
Neste primeiro dia do Enem 2013, foram aplicadas as provas de ciências humanas e suas tecnologias e de ciências da natureza e suas tecnologias.
No Instagram, uma estudante comentou "Boa sorte pra mim e para quem vai fazer #enem #sorte" por volta das 12h30. A imagem já tem cerca de 5.000 pessoas recomendando.
Uma garota de São Paulo publicou a foto do cartão de prova com o endereço do local de exame visível. Nos comentários, internautas avisam que a candidata deve ser desclassificada. Outro candidato postou a foto com o nome completo e assinatura, uma internauta comentou que isso facilitaria a identificação.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Ídolo do Real Madrid defende Neymar antes de clássico contra o Barcelona
Autor do gol do título do Real Madrid na Liga dos Campeões de 1997/1998, o montenegrino Predag Mijatovic defendeu de Neymar antes do clássico do time merengue contra o Barcelona. O ex-atacante afirmou que o brasileiro não é cai-cai durante entrevista ao programa La Graderia, da Rádio Barcelona.
"Batem muito em Neymar, muito mesmo. Fazem falta porque é um grande. Carrega a bola muito bem no mano a mano e a única forma de pará-lo é fazer a falta. Talvez, por seu porte físico e por toda qualidade, as pessoas muitas vezes têm a sensação que ele se joga. Mas não se joga, o acertam", disse Mijatovic.
Além de falar sobre Neymar, o montenegrino comentou sobre o clássico deste fim de semana e disse que não vê o Barcelona melhor que o Real Madrid.
"Futebolisticamente, não vejo o Barça melhor que o Madrid. Eles têm planteis muito bons e têm as mesmas chances", completou.
Barcelona e Real Madrid se enfrentam no próximo sábado. Se ganhar, os merengues igualam a pontuação do rival na tabela do Campeonato Espanhol.
Além do título europeu em 1998, Mijatovic ainda disputou a Copa do Mundo no mesmo ano defendendo a seleção da antiga Iugoslávia. Atualmente, ele é diretor de futebol do Real Madrid.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Pato perde pênalti com cavadinha, Grêmio vence o Corinthians e vai à semi
Alexandre Pato tinha ótimo desempenho contra o Grêmio na base. Mas nesta quarta-feira, falhou, e feio. Sob vaias, ele tentou a cavadinha na cobrança decisiva dos pênaltis nas quartas de final da Copa do Brasil. Dida pegou e o Grêmio avança ao vencer por 3 a 2 o Corinthians após empate em 0 a 0 no tempo normal. O Atlético-PR, que eliminou o Inter, será o oponente na próxima fase.
Empurrado pela torcida, o Grêmio foi para cima do Corinthians. O empate em 0 a 0 no Pacaembu deixou o jogo aberto, e ambos os times tentaram o gol. Mas os gaúchos pressionaram mais, principalmente no começo. Vargas teve duas chances. Aos 11, pegou rebote de um cruzamento e bateu de primeira. Mas desviou em um adversário e saiu a escanteio. Aos 18 minutos, oportunidade clara perdida. Kleber recebeu de Pará e bateu, o goleiro Walter deu rebote para o meio e, da linha da pequena área, sem goleiro, o chileno chutou por cima.
Enquanto isso, o Corinthians sempre foi perigoso no contra-ataque. Fábio Santos tentou de fora da área no começo do jogo, Douglas bateu forte aos 13, mas nenhuma oportunidade mais clara se ofereceu aos visitantes.
Aos poucos, o time do Parque São Jorge conteve o ímpeto gremista, que como o apoio vindo dos aficionados, caiu consideravelmente. Até o final da primeira metade, nenhuma outra oportunidade evidente e muitos erros de passe.
"Só tivemos uma chance, do Vargas. O resto foi chute de fora da área. Mas estamos bem, poderia estar 1 a 0", avaliou Kleber Gladiador, atacante do Grêmio, na saída para o intervalo. "Eles vieram para cima, ficamos um pouco mais atrás. Vamos ver se conseguimos sair no segundo tempo", opinou Fábio Santos, para o Corinthians.
O Grêmio tentou recuperar o comando da partida no segundo tempo. Logo a 10 minutos, Barcos encontrou Riveros que cruzou para Kleber. O Gladiador cabeceou no canto, mas Walter colocou para escanteio. Em seguida, Barcos recebeu de Ramiro e bateu cruzado para fora.
Tite tentou mover as peças do Corinthians. O treinador colocou Danilo, Emerson e Igor. Nos lugares de Guilherme, Fábio Santos e Douglas. Enquanto isso, Renato Gaúcho só observou os times com quadro idêntico à maior parte do jogo: sem chance alguma de gol. A principal corintiana foi em cobrança de falta de Emerson, aos 30 minutos.
As mudanças de Tite surtiram efeito e o Corinthians passou a dominar a partida. Enquanto isso, os gremistas gritavam por Elano, pedindo a entrada do meia. Mas foi o Grêmio quem criou. Aos 37 minutos, Vargas entrou sozinho na área e bateu cruzado. A bola bateu na trave e saiu.
Vargas ainda foi protagonista em mais um lance do jogo. Após perder duas oportunidades claras de gol, o chileno fez falta em Emerson, discutiu e acabou expulso. O corintiano, que revidou, também levou o vermelho. E foi só isso de bola rolando. A decisão foi para os pênaltis.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
45% dos imóveis de SP devem ter nova alta do IPTU após 2014
Pelo menos 1,39 milhão de imóveis da cidade de São Paulo, que correspondem a 45% do total, deverão ter novos aumentos do IPTU depois de 2014, conforme a proposta do prefeito Fernando Haddad (PT) enviada à Câmara.
O dado se refere aos contribuintes que, pelo projeto, pagarão resíduos do reajuste do imposto em 2015 e, em alguns casos, também em 2016.
IPTU do comércio será repassado ao consumidor, diz associação
Esses imóveis são os que tiveram valorização acima dos tetos de aumento do IPTU propostos pelo prefeito para a cobrança no ano que vem.
Os limites de reajuste do imposto para 2014 sugeridos por Haddad no projeto enviado à Câmara foram de 30% para imóveis residenciais e de 45% para os demais.
A ideia era evitar reajustes excessivos num mesmo ano. Mas, na prática, os imóveis que tiveram valorização desde 2009 acima desse patamar serão cobrados pela diferença nos dois anos seguintes.
A possibilidade de cobrança do resíduo consta do projeto que atualiza a Planta Genérica de Valores dos imóveis, base da cobrança do IPTU.
Vereadores articulam com Haddad a votação de uma proposta hoje para reduzir os tetos de alta do imposto para 20% (residenciais) e 35% (comerciais) em 2014. Se isso ocorrer, a quantidade de imóveis que terão resíduos nos anos seguintes aumentará.
A cidade tem 3,1 milhões de imóveis, nas duas categorias --incluídos os isentos do pagamento de IPTU.
Segundo a gestão Haddad, 38% dos 2,6 milhões de residenciais serão cobrados nos anos seguintes porque tiveram valorização acima da trava de 30%. Entre os não-residenciais (comércio e indústria, por exemplo), 78% dos 512 mil também deverão ter os reajustes sequenciais.
A prefeitura diz que a correção inflacionária não será somada aos novos aumentos.
Bairros mais próximos da região central são os que mais tiveram valorização imobiliária nos últimos quatro anos.
O vereador José Police Neto (PSD), diz que a alta do IPTU contradiz as diretrizes do Plano Diretor. "Se a prefeitura quer atrair moradores da periferia ao centro, o IPTU mais alto só vai afastá-los."
Paulo Fiorilo (PT) disse que um levantamento da secretaria mostra que os contribuintes com resíduos cairão já no ano seguinte. "Em 2015, vão restar 20% desses contribuintes que tiveram valorização maior que o teto", afirmou.
Após anunciar a alta do IPTU, Haddad disse que parte do reajuste do IPTU (na média, de 24% em 2014) acima da inflação (perto de 6%) seria usada para manter a tarifa de ônibus congelada em R$ 3 após os protestos de junho.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Para governo, pré-sal foi doce
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terça-feira, 22 de outubro de 2013 07h25
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Com dez ambientes, exposição interativa sobre Cazuza será aberta em SP
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vinicius torres freire
22/10/2013 - 03h00
Para governo, pré-sal foi doce
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O RESULTADO DO leilão do pré-sal era previsível para a cúpula do governo faz umas duas semanas ou um mês (depende da fonte), quando se formou o consórcio vencedor. O desfecho era quase certo fazia uma semana, quando o consórcio foi formalizado: Petrobras, Shell, Total e as duas chinesas.
Seria improvável que as petroleiras restantes, menores, tivessem capacidade financeira e operacional para formar uma sociedade. Portanto, se por mais não fosse, a ideia de que o leilão seria um "teste" para o modelo não fazia sentido, sempre segundo o governo. O resultado já era "previsto e bom".
Diz a cúpula do governo que não há discussões sobre mudar o novo modelo de exploração do petróleo, o do pré-sal, formulado a partir de 2007, com a descoberta dos novos campos, e aprovado em lei de 2010.
Não haveria discussão porque o modelo ainda nem foi testado, porque uma nova mudança causaria grande conturbação, política inclusive, e, enfim, porque esse é um modelo ao gosto de Dilma Rousseff.
De resto, o governo diz que ficou bem satisfeito com a participação de metade das dez maiores petroleiras do mundo na exploração do primeiro campo do pré-sal.
Segundo críticos, o novo modelo seria um problema em especial porque: 1) A Petrobras tem de ser a operadora ("gerentona") de todos os campos do pré-sal, com participação mínima de 30% em todos eles. Não teria, assim, dinheiro suficiente para entrar em todos eles; 2) A nova estatal do setor, Pré-Sal Petróleo SA (PPSA. "Pepesa"?), que vai coordenar e fiscalizar a exploração, tem poder demais, o que assustaria petroleiras privadas; 3) A indústria nacional não tem condição de oferecer, a bom preço e no prazo, a cota de equipamentos e insumos que as petroleiras do pré-sal têm de, obrigatoriamente, comprar no Brasil; 4) A quantidade de petróleo que as empresas têm de entregar ao governo (mínimo de 41,65% neste leilão) é muito grande.
A associação das petroleiras é a maior defensora de mudanças.
O governo diz que nenhum desses "pontos críticos" afastou gigantes privadas como Shell e Total. Diz que a temida e excessiva participação de estatais chinesas, assim como "acordos por baixo do pano" com essas empresas, acabou sendo "mito".
Para a cúpula do governo, a Petrobras seria capaz de investir nos próximos leilões do pré-sal. Tanto que o governo pensa até em antecipar, o quanto possível, o próximo leilão, por ora planejado para 2015.
O pré-sal seria um investimento tão seguro que a Petrobras teria crédito e, pois, capital suficiente para investir. Enfatizam que ela ficou com 40% do campo de Libra, leiloado ontem, em vez dos 30% mínimos.
Quanto ao mínimo que as empresas têm de "pagar" ao governo em petróleo, a quantidade será definida para cada leilão. Mais nada pode mudar?
"A gente nunca pode dizer nunca. Esse mercado tem choques incríveis de preços, descobertas enormes como a do pré-sal e a do xisto nos EUA. O que a gente está dizendo é que não tem discussão nenhuma sobre mudança. E, se tivesse, seria muito improvável fazer alguma coisa em ano de eleição. O modelo é esse, talvez com um outro ajuste menor", diz gente da cúpula do governo que, até ontem, ao menos, parecia muito tranquila, embora nada efusiva.
vinicius torres freire
Vinicius Torres Freire está na Folha desde 1991. Foi Secretário de Redação, editor de 'Dinheiro', 'Opinião', 'Ciência', 'Educação' e correspondente em Paris. Em sua coluna, aborda temas políticos e econômicos. Escreve às terças, quintas e domingos, no caderno 'Mercado'.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Marina Silva faria governo menos estatizante que Dilma, diz Eduardo Giannetti
Um governo similar à segunda gestão de FHC e à primeira de Lula. Menos estatizante do que Dilma. Assim seria uma eventual administração Marina Silva na visão de um dos seus principais conselheiros, o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, 56.
Defensor da austeridade, ele faz eco às palavras da ex-senadora que tem defendido o chamado "tripé" (superávit primário, câmbio flutuante e metas de inflação). Na sua opinião, essas ideias estão longe de significar que Marina virou uma candidata do mercado financeiro.
Em entrevista concedida em São Paulo na última quinta-feira, Giannetti critica o governo e advoga que o crescimento não deve ser feito a qualquer preço: "Crescer 7% destruindo patrimônio ambiental é muito pior do que se crescer 3% preservando".
Ex-professor da USP, de Cambridge e do Insper, Giannetti conversa duas ou três vezes por semana com Marina. Para ele, há dificuldade na fusão com o PSB e obstáculos para atrair empresários para o grupo. "A elite empresarial está no bolso do governo", diz.
domingo, 20 de outubro de 2013
SUS paga 201 consultas no mesmo dia para paciente
Em um único dia, um paciente "conseguiu ser atendido" 201 vezes em uma clínica de Água Branca, no Piauí. A proeza não parou por aí -o valor das duas centenas de consultas foi cobrado do SUS. O mesmo local cobrou tratamentos em nome de mortos.
Casos assim explicam como, em cinco anos, cerca de R$ 502 milhões de recursos públicos do SUS foram aplicados irregularmente por prefeituras, governos e instituições públicas e particulares.
Efeitos dos desvios atingem a população
Municípios culpam gestões passadas
Folha Transparência: confira outras matérias
Esse meio bilhão, agora cobrado de volta pelo Ministério da Saúde, refere-se a irregularidades identificadas em 1.339 auditorias feitas de 2008 a 2012 por equipes do Denasus (departamento nacional de auditorias do SUS) e analisadas uma a uma pela Folha.
Um dos problemas mais frequentes são os desvios na aplicação de recursos -quando o dinheiro repassado a uma área específica da saúde é aplicado em outro setor, o que é irregular.
Também há casos de equipamentos doados e não encontrados, cobranças indevidas, problemas em licitação e prestação de contas, suspeitas de fraudes e favorecimentos.
Com o valor desviado, por exemplo, poderiam ser construídas 227 novas UPAs (unidades de pronto atendimento) ou, ainda, 1.228 novas UBS (unidades básicas de saúde). O orçamento do ministério em 2012 foi de R$ 91,7 bilhões.
Para burlar as contas do SUS, gestores falsificam registros hospitalares ou inserem em seus cadastros profissionais "invisíveis".
Em Nossa Senhora dos Remédios, também no Piauí, de 20 profissionais cadastrados nas equipes do Programa Saúde da Família, 15 nunca haviam dado expediente.
Em Ibiaçá (RS), remédios do SUS foram cedidos a pacientes de planos de saúde.
sábado, 19 de outubro de 2013
Governo vai aliviar tributo da Petrobras no exterior
A Petrobras será a principal beneficiada pela medida provisória que criará novas regras para tributar os lucros de multinacionais brasileiras no exterior.
O texto, que está pronto e deve ser aprovado na próxima semana, prevê isenção de imposto sobre o lucro auferido pelas filiais da estatal no exterior com o aluguel de equipamentos para explorar petróleo e gás no Brasil.
Já o lucro obtido com negócios diversos no exterior, como refino ou exploração em outros países, será tributado como as demais múltis.
Como a Folha antecipou ontem, essas empresas terão oito anos para efetuar o pagamento desse imposto.
Ao livrar a Petrobras de parte do imposto, o governo tenta "compensar" o impacto causado no caixa da estatal, segundo apurou a reportagem. O preço da gasolina, referência para corrigir outros produtos e serviços, não é reajustado desde janeiro.
LUCRO EM ALTA
Essa compensação deve aumentar com a expansão do pré-sal. Hoje o lucro da estatal no exterior é de cerca de R$ 100 milhões. Deve crescer porque, pelo modelo de exploração de partilha, a Petrobras será a única operadora dos campos do pré-sal.
Para isso, terá de investir em plataformas, navios, embarcações de apoio, entre outros. Só para o campo de Libra, serão de 12 a 18 plataformas, cada uma estimada em US$ 1,5 bilhão.
A estatal não é dona dos equipamentos usados na exploração de petróleo. Eles são adquiridos por suas subsidiárias no exterior e alugados para as operações da Petrobras no Brasil.
O lucro obtido pelas filiais com esse aluguel deve aumentar exponencialmente com o avanço da exploração, o que elevaria também o imposto a ser pago, agora isentado na medida provisória.
A Petrobras teve tratamento diferenciado, porque, na avaliação do governo, as filiais -que alugam equipamentos para a operação no Brasil- servem de suporte à estatal, o que não acontece, segundo a Fazenda, com múltis de outros setores, devido à natureza do negócio.
MESMA REGRA
Caso aluguem plataformas ou sondas para empresas de outros países, as filiais da Petrobras serão tributadas como as demais multinacionais brasileiras atingidas pela medida provisória, com oito anos para recolher Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre Lucro Líquido.
O benefício dado à Petrobras também valerá para controladas e coligadas, como a Sete Brasil.
Essa empresa, em que a estatal detém 5% de participação, centralizou as encomendas e entregas dos equipamentos que serão usados na exploração de petróleo e gás.
Procurado, o Ministério da Fazenda não se pronunciou.
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Ex-diretor da Petrobras entra com ação para suspender leilão do pré-sal
Ontem à noite, o ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras no governo Lula Ildo Sauer e o advogado Fábio Konder Comparato protocolaram na Justiça Federal, em São Paulo, uma ação popular pedindo a suspensão do primeiro leilão do pré-sal brasileiro, do campo de Libra, previsto para a próxima segunda-feira, 21.
Exército é convocado para garantir a realização do leilão do pré-sal
De acordo com Sauer, atualmente professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP, o leilão tem "ilegalidades flagrantes", sobre as quais não quis especificar, e contraria os interesses nacionais ao "seguir a política energética dos EUA e da China", para quem o objetivo é "a produção rápida para reduzir o preço".
"Para um país que pretende ser exportador, como é o caso do Brasil, interessa controlar o ritmo da produção e manter o preço elevado", diz a introdução da ação popular.
Sauer e Comparato defendem que o campo de Libra seja repassado à Petrobras.
SEGURANÇA
A pedido do governo do Rio presidente Dilma Rousseff convocou o Exército, para garantir a realização do leilão na segunda.
A partir de domingo, 24h antes do leilão, parte do bairro da Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade, onde ocorrerá o leilão terá a segurança controlada por militares.
Petroleiros da Petrobras, que iniciaram nesta quinta uma greve por tempo indeterminado contra o leilão, prometem levar "pelo menos mil" pessoas para a porta do hotel para tentar impedir a venda.
A mobilização contará com 1.100 homens do Exército, das polícias Federal, Rodoviária Federal, da Força Nacional, além de agentes das polícias Civil e Militar do Rio. O planejamento será definido hoje e o efetivo ainda pode aumentar.
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
No PR, apostadores tentam se passar por ganhador da Mega-Sena que não buscou prêmio
Desde que a notícia de que o ganhador da Mega-Sena de R$ 23 milhões, sorteada em 10 de julho deste ano, não apareceu para retirar o prêmio, vários apostadores apareceram na lotérica Big Sorte, na praça Barão do Rio Branco, centro de Ponta Grossa (114 km de Curitiba), e tentaram retirar a bolada, conforme conta a gerente do estabelecimento, Valquiria Kubisch, 30. "Já vieram umas dez pessoas tentando se passar pelo ganhador."
Mais loterias
Confira resultados da Loteria Federal, da Quina, da Loteca e outros sorteios em UOL Notícias
De acordo com Valquiria, o último apareceu nessa terça-feira (15), com uma "história bem absurda". "Ele ligou e disse que o comprovante da aposta está em outro país. Perguntou se não tinha como falar com a Dilma [Rousseff] para liberar o prêmio. Ele falou que sempre vem aqui e que iria doar o dinheiro a uma instituição de caridade", disse a gerente da lotérica.
Outros apresentaram volantes preenchidas com as mesmas dezenas sorteadas em 10 de julho. "Um veio aqui e disse 'eu sempre marco esses números'... Mas qualquer um pode chegar e marcar na volante", afirmou a funcionária do estabelecimento.
Em um dos casos, o apostador ligou para a lotérica e pediu para o proprietário ir até a casa dele. "Ele foi lá, e o cliente mostrou o volante marcado, mas não estava autenticado", recorda ela.
As seis dezenas sorteadas na ocasião foram: 01 - 08 - 17 - 44 - 46 - 53. O prazo previsto em lei para retirar o prêmio é de 90 dias a partir da data do sorteio. Com a greve dos bancários, a Caixa deu a possibilidade de o apostador retirar o dinheiro nesta segunda-feira (14), já que a paralisação foi encerrada na maioria dos Estados, mas o sortudo não apareceu.
A assessoria de imprensa da Caixa afirma que, após o fim do prazo legal, não há data limite para o ganhador se apresentar, mas admite que após o final desta semana a chance de ele retirar os R$ 23 milhões ficarão bem reduzidas. O banco sugere que ele compareça a uma agência o mais rápido possível e apresente uma justificativa sobre a não retirada do prêmio.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Manifestantes começam a ser liberados no Rio; detidos estão em nove delegacias
Os confrontos entre policiais e manifestantes nas ruas do centro do Rio nesta terça-feira (15) terminaram com uma sequência de detenções na praça da Cinelândia. Alguns deles já foram liberados na madrugada desta quarta-feira (16). Seis manifestantes ficaram feridos.
De acordo com Gustavo Proença, advogado da Comissão de Direitos Humanos da OAB, 204 manifestantes foram detidos durante os protestos desta terça-feira, em apoio à greve dos professores das redes estadual e municipal do Rio. Eles foram espalhados por dez delegacias. Na manhã desta quarta, a OAB atuava na 5ª (Centro), na 22ª (Penha) e na 37ª (Ilha do Governador) delegacias, que, segundo ele, concentravam mais pessoas detidas.
Apesar das liberações, apenas na 29ª (Madureira) não há mais detidos, segundo Proença.
Você é a favor da repressão policial a manifestantes?
Sim
Não
Resultado parcial
A PM informou que alguns detidos foram levados para a 17ª (São Cristóvão) e 19ª (Tijuca), mas ainda não confirmou as outras delegacias que receberam manifestantes.
Boa parte das detenções ocorreu na Cinelândia após um cordão policial ser formado para cercar os manifestantes que permaneciam na praça após os confrontos desta noite. Muitos acabaram detidos e encaminhados aos ônibus usados pela PM.
Segundo o jornal "Folha de S.Paulo", as detenções lotaram quatro micro-ônibus da PM e um ônibus de linha fretado.
A ação começou pouco depois das 23h. Antes disso, houve uma série de confrontos que se estenderam por mais de três horas e terminaram com a ocupação policial da Cinelândia. O acampamento improvisado nas últimas semanas diante da Câmara Municipal foi desmontado pelos policiais.
Protesto
A manifestação foi organizada por professores das redes municipal e estadual, contrários ao plano de cargos e salários proposto pela Prefeitura do Rio e aprovado pela Câmara dos Vereadores. De acordo com o sindicato dos professores, o protesto reuniu cerca de 10 mil pessoas.
Segundo a "Folha de S.Paulo", o ato permaneceu pacífico até as 20h, quando representantes do sindicato anunciaram seu encerramento. Depois disso, um grupo de manifestantes tentou retirar os tapumes que protegiam a Biblioteca Nacional, dando início aos confrontos.
Conforme informou o telejornal "Bom Dia Brasil", manifestantes depredaram lojas e agências bancárias e incendiaram um carro da Polícia Militar. Ainda de acordo com o telejornal, dois homens sacaram armas e começaram a atirar durante os confrontos.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Madonna revela que trará o seu Secret Project ao Brasil
A cantora Madonna fez uma revelação para os fãs brasileiros nesta segunda-feira, 14. Poucas semanas após lançar o seu Secret Project Revolution nas redes sociais, a estrela pop afirmou que trará o seu projeto para o Brasil. No entanto, ela não especificou se virá ao país e como será esta ação. O anúncio foi feito pela internet quando ela publicou uma foto em que aparece em seu banheiro usando um vestido preto, luvas e óculos escuros. “Secret Project Revolution está indo para o Brasil em breve! Fiquem preparados! Madonna”, escreveu na legenda da imagem.
+Madonna é banida de cinema no Texas
A nova empreitada de Madonna é um projeto em que volta a demonstrar o seu ativista. Defensora das causas sociais, ela afirma que quer lutar pela liberdade. “Eu vivo dizendo que quero começar uma revolução, mas ninguém parece levar isso a sério. Se eu tivesse uma pele negra, vocês levariam a sério? Se eu fosse um árabe acenando com uma granada na mão, vocês levariam a sério?”, questiona Madonna, que logo inicia um discurso feminista: “Ao invés disso, eu sou uma mulher. Eu sou loira. Eu tenho seios e bunda. E um desejo enorme de ser notada”. Ela fez esta declaração no curta-metragem de 17 minutos que foi lançado no mês de setembro.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Voo SP-Rio na Copa já custa quase o mesmo que ir a NY
Ainda faltam oito meses para a Copa do Mundo começar, mas tente comprar passagens aéreas durante o torneio para ver: o preço chega a ser dez vezes mais alto do que em um dia normal.
Leia o blog sobre aviação Senhores Passageiros
Preços altos para Copa refletem demanda, dizem empresas aéreas
O valor cobrado do passageiro é superior, por exemplo, ao de bilhetes para a Europa e para os Estados Unidos no mesmo período.
Uma das explicações dadas pelas empresas aéreas é a lei da oferta e da demanda: se mais gente compra, restam menos lugares no voo -e os assentos que sobram encarecem.
A tarifa subiu principalmente nos trechos mais procurados, como a ponte aérea entre os aeroportos de Congonhas (São Paulo) e Santos Dumont (Rio), a rota mais movimentada do Brasil.
O turista que quiser sair do Rio e ir a São Paulo para assistir à abertura da Copa, em 12 de junho, pagará R$ 2.393 ida e volta na TAM. (Na última quinta-feira, o valor era R$ 350 maior; na sexta, dia em que a Folha questionou a empresa, o preço caiu.)
É mais caro do que ir a Curaçao, no Caribe (R$ 1.900), ou a Buenos Aires (R$ 900) e um pouco menos do que o preço para ir e voltar de Nova York ou Paris.
Por outras companhias aéreas, o preço é igualmente alto na ponte aérea durante a Copa. Na Avianca, o bilhete de ida e volta custa R$ 1.893 e na Gol, R$ 1.673.
Fora da Copa, o valor volta ao normal. Uma passagem para março na ponte aérea por qualquer empresa sai no máximo por R$ 227 -se o passageiro comprar 12 bilhetes por esse valor, ainda assim pagará menos do que um único tíquete aéreo na Copa.
Para ver a final, no Rio, em 13 de julho, o preço das viagens subiu na mesma proporção, quando comparados voos entre Congonhas (SP) e Santos Dumont (Rio).
A alternativa será o ônibus. A viagem de ida e volta entre São Paulo e Rio pela viação Itapemirim para junho é a mesma de agora: de R$ 149 (convencional) a R$ 322 (leito, que reclina 65º). O trajeto leva cerca de seis horas.
AUMENTOU GERAL
O "fator Copa" no preço das passagens de avião se dá em outras fases do torneio.
Ir de São Paulo a Belo Horizonte para ver uma partida das oitavas-de-final, em 28 de junho, custa R$ 2.719 na TAM, a partir de Congonhas. É 1.128% mais salgado do que o preço para maio, antes da Copa: R$ 241.
Pela Azul, via Guarulhos, o valor é quase o triplo. Na Gol, por Congonhas, há passagens promocionais à venda por R$ 258,94.
Mas os bilhetes não subiram apenas em destinos concorridos. Uma viagem de Brasília a Natal para ver o segundo jogo sediado na capital potiguar, em 19 de junho, já custa quase o dobro (Gol), o dobro (Avianca) ou quase o triplo do normal (TAM).
domingo, 13 de outubro de 2013
'Não dormi com o presidente', diz consultora que inspirou 'Scandal'
Olhando para a plateia majoritariamente feminina que acabara de assistir ao piloto da série "Scandal", cuja protagonista é inspirada em sua vida, a americana Judy Smith, 54, se antecipa à pergunta que inevitavelmente viria.
"Devo deixar uma coisa clara antes de começarmos: não dormi com o presidente", diz ela, referindo-se ao ocupante da Casa Branca e diferenciando-se da protagonista.
"Com nenhum deles."
Não que Smith, uma gerenciadora de crises que atuou em casos históricos dos governos Reagan (Irã-Contras), Bush (Guerra do Golfo) e Clinton (o escândalo Monica Lewinsky), fosse admitir caso tivesse feito como Olivia Pope, seu alter ego na série.
Rony Maltz/Folhapress
A norte-americana Judy Smith, que foi vice-secretária do governo George H.W. Bush e atuou em crises históricas
A norte-americana Judy Smith, que foi vice-secretária do governo George H.W. Bush e atuou em crises históricas
Sigilo e discrição são essenciais em sua área de atuação, como ela ressalta para o público que assistiu a sua palestra no último domingo, durante o Festival do Rio.
Seu trabalho foi a inspiração para "Scandal", produzida por Shonda Rhimes (criadora de "Grey's Anatomy") e hoje em sua segunda temporada no Brasil, onde novos episódios são exibidos pelo canal Sony às segundas, 22h.
A série conta a história de uma ex-consultora de mídia da Casa Branca, interpretada por Kerry Washington ("Django Livre"), que abre uma empresa de gerenciamento de crises, ajudando a proteger a imagem pública de figuras da elite -políticos, executivos, celebridades e corporações.
"Scandal se tornou algo importante porque foi a primeira vez que uma mulher afro-americana interpretou a protagonista na TV, nos últimos 35 anos", diz Smith, que é também uma das produtoras e consultora de roteiro.
"O público feminino fica feliz de ver alguém com quem pode se identificar. Olivia é uma mulher forte, no ápice de sua forma, mas não é perfeita, tem uma vida pessoal um tanto tumultuada, para dizer o mínimo."
DURONA
Diferentemente do estilo "gladiadora de terno" que caracteriza a protagonista da série, Smith diz adotar uma postura mais suave e mais dentro da lei.
"Não encorajo meus investigadores a bater nos outros para obter informação ou a mexer em cenas de crimes."
Ela e Pope têm em comum o que ela chama de "compaixão pelo cliente". Mas mesmo quando eles praticaram algum crime?
"Todos cometemos erros. A diferença é que os erros que eu e você cometemos não aparecem nos jornais ou na televisão. Acredito muito no perdão e na redenção. O importante é aprender com os erros", responde.
sábado, 12 de outubro de 2013
Cada brasileiro paga, em média, quase R$ 8.000 em impostos por ano
As estimativas mais recentes da carga tributária do país apontam que cada brasileiro pagou, em média, quase R$ 8.000 em tributos federais, estaduais e municipais no ano passado.
Isso significa 35,5% de toda a renda gerada no país, segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Trata-se da carga mais alta entre os principais países emergentes (talvez a Argentina tenha carga semelhante, mas as estatísticas do país vizinho não são confiáveis).
Obviamente, nem todos os contribuintes pagam diretamente todos os tributos: há impostos pagos apenas por empresas, contribuições pagas por servidores públicos, taxas pagas por quem utiliza determinados serviços públicos. Mas a tributação significa custos que acabam elevando preços ou reduzindo salários em toda a economia.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Organização contra armas químicas Opaq ganha prêmio Nobel da Paz
A Opaq (Organização para a Proibição de Armas Químicas) é a vencedora do Nobel da Paz 2013, anunciou nesta sexta-feira (11) a instituição, em Oslo, na Noruega.
VENCEDORES DO PRÊMIO NOBEL 2013
MEDICINA James E. Rothman (EUA), Randy W. Schekman (EUA) e Thomas C. Südhof (Alemanha)
FÍSICA François Englert (Bélgica) e Peter Higgs (Reino Unido)
QUÍMICA Martin Karplus (Áustria), Michael Levitt (África do Sul) e Arieh Warshe (Israel)
LITERATURA Alice Munro (Canadá)
A entidade está coordenando, junto a ONU (Organização das Nações Unidas), a destruição do arsenal de armas químicas da Síria em meio à guerra civil no país.
A operação é resultado de um plano estipulado pela comunidade internacional e ratificado pela ONU após acordo feito pelos Estados Unidos e pela Rússia para evitar uma intervenção militar.
De acordo com o comitê do prêmio, apesar de a organização ter ganhado notoriedade internacional com a ação na Síria, a instituição Nobel fundamenta a escolha na trajetória da organização, no que diz respeito a seu "extensivo trabalho para eliminar armas químicas".
"Os fatos recentes na Síria, onde houve a utilização de armas químicas, evidenciou a necessidade de se aumentar os esforços para eliminá-las", explicou Thorbjoern Jagland, secretário do Comitê do Prêmio Nobel da Noruega.
Na decisão, foi lembrado que ainda existem países que não assinaram a Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas e que outros, como os EUA e Rússia, não cumpriram os prazos para a eliminação de seus arsenais.
Além do título, o Nobel da Paz contempla os ganhadores com um valor de 8 milhões de coroas suecas (US$ 1,25 milhão). A cerimônia de entrega acontecerá em Estocolmo em 10 de dezembro, aniversário da morte do fundador do prêmio, Alfred Nobel.
A Opaq, que já foi indicada anteriormente, ganha o prêmio Nobel no ano em que completa 20 anos da assinatura da Convenção de Armas Químicas, tratado internacional criado em 1993 que proíbe a produção e armazenamento desse tipo de arma, e que deu origem a sua fundação, em 1997. Cento e oitenta e nove países aderiram ao tratado da Opaq, que tem sede em Haia (Holanda).
A Opaq é responsável pela destruição de 57.740 toneladas métricas de armas químicas em 86 países; o montante representa 81,1% do total do estoque desses países.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Número de calotes tem quarta queda seguida, e recua 11% no ano, mostra Serasa
SÃO PAULO, 10 Out (Reuters) - O índice de calotes de consumidores no Brasil apurado pela empresa de dados de créditos Serasa Experian recuou 2,8% em setembro em relação a agosto, na quarta queda mensal consecutiva, informou a companhia nesta quinta-feira.
Na comparação com setembro de 2012, o indicador caiu 10,8%, encerrando o acumulado do início de 2013 até o mês passado em alta ligeira de 0,7% sobre um ano antes. Anteriormente, de janeiro a agosto, o índice estava em alta de 2,2%.
"A manutenção das baixas taxas de desemprego, o recuo da inflação após as fortes altas verificadas durante o primeiro semestre e a atitude mais cautelosa dos consumidores perante a contratação de novas operações de crédito têm contribuído para queda sistemática da inadimplência ao longo destes últimos meses", informou a Serasa em comunicado à imprensa.
As dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas e prestadoras de serviços como telefonia e energia elétrica) e a inadimplência com os bancos foram as principais responsáveis pela queda do indicador, com variações negativas de 2,6% e 2,9%, respectivamente, na comparação com agosto.
Os títulos protestados caíram 20%. Os cheques sem fundos apresentaram variação nula no índice de setembro, segundo a empresa.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Inflação acelera em setembro, mas volta a ficar abaixo de 6% em 12 meses
A inflação oficial acelerou para 0,35% em setembro, após avançar 0,24% em agosto, mas registrou queda pelo terceiro mês seguido no acumulado dos últimos 12 meses, segundo informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (9).
A inflação oficial em 12 meses ficou em 5,86%, acima da meta do governo para o período (4,5%), mas dentro do limite previsto (de até 6,5%). É a primeira vez no ano que o indicador fica abaixo do patamar de 6% no acumulado dos últimos dozes meses.
A alta dos preços no país foi considerada pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) um dos obstáculos para o crescimento do país. Segundo a entidade, o Brasil deve ter o menor crescimento entre os países emergentes no próximo ano.
Inflação acumulada em 12 meses
Fonte: IBGE
Governo tem segurado alta da gasolina, mas preço deve subir
Para ajudar a inflação a se manter dentro desse objetivo, o governo tem evitado autorizar a Petrobras (PETR4) a elevar os preços da gasolina desde janeiro. A decisão, no entanto, prejudicou a capacidade de investimentos da estatal.
O aumento nos preços é cobrado pela Petrobras, como forma de alinhar os preços internos de derivados de petróleo aos valores internacionais, cotados em dólar.
Ontem, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirmou que o preço da gasolina pode subir este ano, mas não há ainda uma data definida.
O diesel foi reajustado duas vezes este ano pela Petrobras--com altas de 6,6% em janeiro e 5% em março--, enquanto a gasolina teve uma alta de 5,4% janeiro.
Na gasolina, o governo tentou amenizar o impacto sobre a inflação com aumento na proporção de etanol misturado no combustível, de 20% para 25%, mas a decisão só foi executada em maio.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Brasil vai crescer menos da metade dos emergentes em 2014, diz FMI
Pela segunda vez neste ano, o FMI (Fundo Monetário Internacional) reduziu a sua previsão de crescimento para o PIB brasileiro em 2014 e agora prevê que a economia nacional vai crescer menos da metade da média dos países emergentes.
O Fundo estima agora expansão de 2,5% para a economia brasileira no ano que vem, 0,7 ponto percentual menos que na sua previsão anterior, de julho. Na sua primeira projeção, em janeiro, o organismo previa crescimento de 4% para o Brasil.
Apesar da redução, o FMI está mais otimista com a economia brasileira que os analistas consultados pelo Banco Central para o seu relatório Focus, que apontavam alta de 2,2% para 2014.
No caso dos emergentes, a previsão do Fundo é de avanço de 5,1%, ante uma estimativa anterior de 5,5%. Nenhum país (emergente ou desenvolvido) teve um corte maior que o Brasil nas projeções do organismo multilateral.
Para 2013, o Fundo manteve a sua previsão de crescimento de 2,5% para o Brasil. Já os emergentes devem se expandir em 4,5% (0,5 ponto percentual menos que sua estimativa de julho), com fortes recuos nas projeções para Rússia, México e Índia. Em 2012, o PIB brasileiro avançou 0,9%, enquanto a média dos emergentes foi de alta de 4,9%.
"A recuperação do Brasil vai continuar em ritmo moderado, ajudado pela depreciação no câmbio, por um ganho de força do consumo e por políticas que visam o aumento do investimento", disse o Fundo em relatório nesta terça-feira (8).
No entanto, o organismo afirma que a inflação alta (em 12 meses até agosto, o IPCA acumula alta de 6,1%) está afetando a renda real e pode "pesar no consumo". Por isso, recomenda o aumento na taxa de juros.
O Banco Central já elevou os juros quatro vezes neste ano, de 7,25% anuais para 9%. O Copom (Comitê de Política Monetária) se reúne novamente nesta semana e a expectativa do mercado é de novo aumento na taxa.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
PT e PSDB buscam aliados contra Marina e Campos acirra disputa
A aliança da ex-senadora Marina Silva com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), acirrou a disputa entre petistas e tucanos por aliados para a eleição presidencial do próximo ano.
Por recomendação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal estrategista da campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição, o Palácio do Planalto vai intensificar negociações para manter o PDT a seu lado e tirar o PP e o recém-criado Solidariedade da órbita tucana.
'Maioria está perplexa', diz marineiro
Dilma planeja usar a reforma ministerial prevista para o fim deste ano para amarrar as alianças tanto no plano federal como nos Estados.
Do lado do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) vai buscar o apoio do PPS, que tentou sem sucesso atrair o ex-governador tucano José Serra e Marina para lançá-los como candidatos à Presidência.
Editoria de Arte/Folhapress
Sem candidato a presidente, a avaliação é que a aliança natural do PPS é com o PSDB, já que a legenda tem vários parlamentares que se elegeram em coligações com os tucanos em seus Estados.
"Se analisar o cenário de hoje, só tem ele [Aécio] e o Eduardo Campos", diz o presidente do partido, o deputado federal Roberto Freire (SP).
Em conversas reservadas, Aécio disse confiar que, apesar da estratégia do Palácio do Planalto de atrair o apoio de deputados do Solidariedade, a cúpula da nova sigla está fechada com seu projeto.
Seu criador, o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, controla o partido, chamou Dilma de "inimiga" na semana passada e já garantiu seu apoio a Aécio. Ele deve contribuir com cerca de 40 segundos em cada bloco de 25 minutos de propaganda eleitoral na televisão em 2014.
O PP será disputado pelo governo Dilma e pelo PSDB. Os articuladores políticos do governo têm conversado com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente da sigla, para garantir seu apoio a Dilma.
Na última eleição, o partido, liderado pelo senador Francisco Dornelles (PP-RJ), que é tio de Aécio Neves, adotou posição neutra. Atualmente, a legenda controla o Ministério das Cidades.
No caso do PDT, a equipe de Dilma acredita que o apoio do partido está garantido, principalmente depois que a presidente bancou o ministro Manoel Dias (Trabalho) mesmo num momento de fragilidade por causa de acusações de irregularidades na pasta ocupada pela legenda.
Ontem, um dia depois do anúncio da aliança de Eduardo Campos com Marina Silva, o Palácio do Planalto avaliava que Dilma pode até ganhar mais chances de decidir a eleição no primeiro turno. Um assessor destacou que dois possíveis candidatos se tornaram apenas um agora.
Além disso, a equipe de Dilma levanta dúvidas se todo o eleitorado de Marina vai marchar a seu lado na aliança com Campos. Acha possível até que uma parcela possa migrar para seu campo.
De acordo com a mais recente pesquisa do Datafolha, concluída no início de agosto, Dilma tinha 35% das intenções de voto. Marina estava com 26%, Aécio tinha 13%, e Eduardo Campos, com 8%, estava em quarto lugar.
Os petistas querem reduzir ao máximo possível as traições nos Estados de aliados no plano nacional. Eles vão trabalhar para evitar a repetição do que ocorrerá na Bahia, onde o peemedebista Geddel Vieira Lima, mesmo com cargo no governo, tende a apoiar algum nome da oposição na campanha.
Em dezembro, a presidente vai trocar boa parte de sua equipe porque vários ministros vão disputar a eleição em 2014. Entre eles estão os petistas Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).
domingo, 6 de outubro de 2013
Mesmo com apagão, B52’s recria festa new wave 28 anos depois do Rock in Rio em São Paulo
Rio de Janeiro, 1985. Uma banda de pós-punk da Georgia, EUA, bota milhares de brasileiros para dançar num festival predominantemente metaleiro. Era a estreia do B52’s, colocando cores numa tediosa paleta preta do heavy metal.
São Paulo, 2013. A mesma banda, com formação de front idêntica (as vocalistas “ab-fabs” Kate Pierson e Cindy Wilson e Fred Schneider, o mentor musical e dono da voz metálica uma das marcas registradas da banda), transforma a casa de show HSBC Brasil numa pista de dança new wave, de novo.
O show começa com Planet Claire, já colocando o público no clima festivo que estava por vir. De cara, os agudos de Kate demonstram que os anos foram gentis com suas cordas vocais. Nem tanto para os looks das “meninas”, agora na casa dos 50, e não mais tão montadas como quando surgiram no final dos anos 70 – num época em que a disco music já dava sinais de cansaço, e o pós-punk trazia uma certa melancolia no jeito de vestir.
Quando apareceram, Kate e Cindy causaram com uma coleção de roupas de brechós dos anos 60 e as famosas e imensas perucas “bolo de noiva”, que depois seriam resgatadas por figuras como Amy Winehouse. Agora, as perucas tomaram uma chuva, ganharam um toque de chapinha, e as moças, um banho de loja... de departamento. Tudo mais certinho, pelo menos no visual.
Mas na música a coisa continua impecável. As vozes dos três líderes seguem firmes, cristalinas. A animação no palco, a de uma banda de garagem – apesar dos movimentos econômicos de Cindy, que enquanto tocava o bongô e degustava um drink parecia estar poupando energia para uma aula de ioga.
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